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A diversidade na TI gera novas oportunidades para os CIOs

Com as mudanças na tecnologia e nos negócios, o diretor de TI pode aproveitar várias oportunidades e evitar várias ameaças, explica Marco Abcaran, diretor da Forrester Research. Se ele souber quais são.

Para Abcaran, quatro forças movem a tecnologia e os negócios agora:

1. Padronização crescente (ou commoditização crescente, como diz Abcaran): mesmo os processos críticos de negócio viram padrão de mercado.

2. Miniaturização mais complexa: aparelhos cada vez menores, mais capazes, mais cheios de funções úteis.

3. Industrialização: compradores e vendedores de serviços, inclusive profissionais de TI, buscam a mesma qualidade e a mesma produtividade já em vigor na indústria em geral. Ambos buscam maior eficiência.

4. Globalização: grandes contratos internacionais reduzem o número de atores no mercado, reduzem o número de relacionamentos e, portanto, consolidam os fornecedores.
Nesse novo mundo, o software, que já foi tratado como produto à semelhança do hardware, se tornará cada vez mais um serviço. Assim, diz Abcaran, os contratos de terceirização devem englobar muito mais que software: devem incluir processos e mecanismos de gestão. Serviço bom é processo bom com boa gestão.
Os contratos devem ser mais flexíveis. E a tecnologia, para sustentar as novas soluções, deve permitir a convivência de vários módulos, deve ser orientada a serviços, para se ajustar mais facilmente a esse novo mundo.

Só existe uma forma de liderar nesse novo mundo, diz Abcaran:

a. Compreender bem as quatro forças.

b. Agregar, por meio de fusões ou parcerias, o que há de melhor em cada fornecedor, seja em padronização, miniaturização, industrialização ou globalização.

c. Ter sensibilidade para enxergar, no mercado, o que é serviço-padrão e o que é serviço muito especializado e exclusivo, para então criar soluções com diferenciais competitivos.

Dois exemplos de tecnologia aplicada aos negócios

Num painel sobre exemplos de sucesso, o participante viu a apresentação de três empresas: Compesa, AES Eletropaulo e Comgás.

Dois exemplos:

AES Eletropaulo

Eduardo Fagundes, o CIO da empresa, mostrou o projeto de implementação de sistema de gestão comercial da SAP em quatro regiões (Brasil, Ásia, Europa e Estados Unidos). O projeto começou em 2002 com estudos em mais de 25 países, e o projeto piloto já está sendo instalado no Brasil; deve ficar pronto até o segundo semestre deste ano.
Quando a AES se decidiu por um sistema de gestão único, montou um grupo de trabalho de 200 pessoas, de nove países, para discutir o desenho dos processos.
Ao mesmo tempo, a AES montou uma empresa nos Estados Unidos só para negociar as licenças com a SAP; e decidiu centralizar os sistemas em dois CPDs, um nos Estados Unidos, outro na Inglaterra.
Em fevereiro do ano passado, a equipe técnica responsável pelo projeto piloto treinou 800 funcionários, fez uma migração técnica, instalou melhorias na versão 4.7 do SAP e instalou quatro módulos: financeiro, suprimentos, controladoria e ativo fixo.

O resultado, de acordo com Eduardo, veio no prazo do fechamento mensal dos relatórios finais — de 66 horas para 16 horas.

Comgás

Roberto Carneiro, o CIO, mostrou o novo modelo de governança da Comgás. Também anunciou um grande contrato de terceirização, recém-assinado com a Edinfor.
Pelo contrato de cinco anos, no valor de R$ 33 milhões, a Edinfor assume a operação da infra-estrutura e a gestão dos aplicativos da Comgás. Para tanto, nos próximos meses a Edinfor vai migrar toda a infra-estrutura para o datacenter de Mogi das Cruzes.
Com o acordo, diz Roberto, a Comgás deve crescer mais no mercado residencial. É uma base de clientes cujas informações estão muito fragmentadas e que, portanto, é difícil de conhecer; com o novo processamento, a Comgás consegue a agilidade e a segurança para conhecer melhor os clientes residenciais.

Desde que foi privatizada, em 1999, a Comgás cresce 20% ao ano.
 
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